EUROPEAN CYSTIC FIBROSIS SOCIETY DIAGNOSTIC NETWORK WORKING GROUP

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St. Gallens, Suiça, 08 a 10 de fevereiro de 2018.

Participante pelo GBEFC: Dr. Luiz Vicente Ribeiro F. da Silva Filho.

 

Este evento foi organizado pelo Dr. Nico Derichs (Berlim), que é o responsável pelo grupo de trabalho em diagnóstico da ECFS. Recebi o convite para participar no ano passado, que incluía o pagamento de duas diárias de hotel e um programa social muito agradável. Minha viagem aérea, em classe econômica, foi paga pelo GBEFC. O restante das despesas foi por minha conta (trens, alimentação, diárias adicionais de hotel).

 

Após a chegada a Zurich, um trem me levou a St. Gallens, uma pequena cidade Suiça onde o evento aconteceu – no Hospital Pediátrico (Kantonosspital). Havia bastante neve e cerca de 40 participantes – um grupo bastante pequeno, transformando o evento em algo bastante informal. Participantes de vários países europeus, além de australianos, africanos, norte-americanos e argentinos. Nosso anfitrião local (Jürg Barben) foi muito receptivo e é um excelente candidato a palestrante em congressos nacionais de FC, tem bastante experiência com testes de condutividade em pacientes identificados na triagem neonatal.

O programa social do evento incluiu uma visita a uma fabrica do queijo Appenzeller (típico da região), com direito a jantar com Fondue de queijo (maravilhoso) na primeira noite. Na segunda noite, fizemos uma visita (paga) a uma biblioteca antiquíssima e sensacional, seguida de um jantar num restaurante tradicional da cidade. Foram momentos muito descontraídos e agradáveis de confraternização com os colegas.

 

 

Este é o relato das minhas impressões sobre as apresentações. Os comentários são de minha total responsabilidade, e podem não refletir o pensamento dos apresentadores.

 

 

Session 1: Newborn screening – looking over the precipice (Chairs: Kevin Southern, Karin De Winter)

Issues around IRT – Ralph Fingerhut (Zürich, Switzerland)

Profissional da Suíça mostrou dados da triagem neonatal realizada na Suíça – eles usam um corte de IRT de 50 ng/ml – repetem uma segunda dosagem com o mesmo cutoff e daí realizam um painel genético (18 mutações).

Há duvidas se os cutoffs de IRT deveriam ser modificados para diminuir o número de exames de suor (em cerca de 150 exames por ano).

 

The Californian experience of newborn screening – Danieli B. Salinas (Los Angeles, California, USA)

Apresentação fantástica da Danieli, brasileira radicada na Califórnia e com várias publicações recentes sobre genética de FC realizada na Califórnia, pois eles fazem IRT e DNA direto na 1aamostra colhida na maternidade – ou seja, não precisam reconvocar os pacientes – ela é uma potencial candidata para convidada internacional nos próximos Congressos Brasileiros de FC, pois além de um grande conhecimento de genética de FC, fala português.

Os estudos publicados recentemente por esta pesquisadora (Salinas et al), relatam varias novas mutações associadas a quadros clínicos mais leves e CFSPID. No estado da Califórnia, após 9 anos de triagem neonatal, 550 novos casos de FC foram diagnosticados com o algoritmo IRT/DNA/DNAseq. Eles empregam uma técnica de sequenciamento de nova geração que inicialmente busca apenas um painel das 40 mutações mais frequentes na população (que é altamente miscigenada e com alta proporção de hispânicos), considerando o diagnóstico firmado de FC frente ao achado de duas variantes desta lista. Se não há identificação de nenhuma destas variantes do painel, o paciente é considerado negativo. Nos casos com apenas uma variante identificada, o sistema vai buscar informações mais detalhadas no restante do sequenciamento dos exons do gene CFTR, incluindo regiões intrônicas até 20pb do exon e buscando variantes intrônicas relevantes (ver adiante).

Durante os 9 anos de realização deste esquema, 375 mutações foram identificadas – 90 delas eram novas. Poucos destes casos com mutações novas foram diagnosticados como FC (apenas 18%) – e esta técnica trouxe a identificação de vários casos de CFSPID (diagnóstico inconclusivo de FC após triagem). Alguns poucos casos (2 a 6%) de CFSPID, no seguimento (que é diferente do seguimento habitual de FC), passaram a ser considerados com o diagnóstico estabelecido de FC – as variantes mais comumente encontradas nestes pacientes foram IVS8(TG)13-5T, R117H-7t e D1152H.

 

 

The recognition of CFSPID is beneficial for families

PRO: Danieli B. Salinas (Los Angeles, California, USA)

CON: Sarah Mayell (Liverpool, UK)

Não apenas a definição, mas o que fazer com estes casos é motivo de muita discussão na literatura – a maioria da audiência foi CONTRA o diagnóstico e seguimento destes casos – parece muita preocupação para pouca doença.

              – 2 aspectos me pareceram fundamentais neste assunto:

1. Os pais devem ser testados em casos com 2 variantes e cloro no suor normal ou limítrofe – pois as mutações podem estar em Cis – e dai o paciente é apenas portador de mutações de FC em um alelo.
2. Algumas variantes associadas a CFSPID precisam maior clareamento em alguns casos: TG/T (11, 12 ou 13 TGs e não apenas 5T, 7T ou 9T). Pesquisa de outras variantes deep intronic e que são importantes em frequência, como 3849+10kb C>T (intron 19), 1811+1634A>G (intron 11).

 

Unclear/unresolved cases after newborn screening Andreas Jung (Zürich, Switzerland)

Nicolas Regamey (Luzern, Switzerland)

Foram apresentados dois casos difíceis, de diagnóstico questionável de FC. Muito debate sobre as estratégias de diagnóstico e rotulação do caso, seguimento etc.

 

Monitoring long-term outcomes for CFSPID: working together across Europe – Anne Munck (Paris, France)

Apresentação de diversos artigos de discussão sobre Delphi panels / artigos de revisão sobre CFSPID (Cystic fibrosis screen positive inconclusive diagnosis – seguem muitas dúvidas sobre como lidar com estes casos, como:

  • Estas crianças saudáveis vão desenvolver algum sintoma com o passar dos anos?
  • Existem fatores envolvidos na progressão da doença?
  • Existe consenso sobre como deve ser o monitoramento destes pacientes? Intervalo de avaliações, por exemplo.
  • Como reduzir o excesso de medicamentos nestes pacientes?
  • Qual o custo destes pacientes para o sistema de saúde?
  • Qual é o impacto psicológico para pacientes e familiares deste rótulo CFSPID?

 

Session 2: Current practice and challenges of diagnosing CF in … (Chairs: Kris De Boeck, Valerie Mühlbacher)

Morocco – Amale Hassani (Rabat, Morocco)

Georgia – Tsitsino Parulava (Tbilisi, Georgia)

Macedonia – Dijana Plaseska-Karanfilska (Skopje, Macedonia)

Iceland – Olafur Thorvaldsson (Reykjavik, Iceland)

 

Esta sessão foi de apresentação das dificuldades em países distantes ou de baixo nível sócio-econômico.

 

Session 3: Taking sweat testing to the next level (Chairs: Nico Derichs, François Vermeulen)

The new CLSI sweat test guidelines – Vicky LeGrys (Chapel Hill, North Carolina, USA)

Esta pesquisadora é uma das mais experientes do mundo em controle de qualidade e padronização de testes de suor. Apresentou uma aula brilhante sobre aspectos técnicos e recomendações para dosagem de cloro no suor.

Principais mensagens:

Laboratórios realizando testes do suor devem ser aderentes a recomendações técnicas, seguindo de forma estrita o que recomenda o protocolo operacional. Técnicos trabalhando na área não devem ser muito criativos – recomenda-se que tenham hobbies para poder inventar fora do Laboratório hehehe

 

Todos os Laboratorios vão ter problemas de coleta com alguns pacientes – estima-se que no máximo em 10% dos bebes abaixo de 3 meses e 5% em crianças > 3 meses – estes casos precisam ser documentados, compreendidos, não há vergonha nisso – vale a pena refletir sobre estes casos, pensar em recomendações para uma próxima coleta (hidratação, ganho de peso, mais idade)

 

Em caso de coleta com papel de filtro – coletar pelo menos 75mg; no caso de Macroduct, o mínimo volume é 15uL. Em ambos os casos, o tempo máximo de coleta deve ser 30 minutos – e não mais do que isso.

 

Pode-se utilizar um filme plástico (tipo Magipack) para fixar o coletor no antebraço do paciente – permite visualizar o volume coletado no sistema Macroduct em tempo real.

 

Recomenda-se que a dosagem de cloro seja feita no mesmo dia da coleta e o resultado preferencialmente fornecido para a família NO MESMO DIA da coleta. Alternativamente, o suor pode ser guardado em tubos do tipo eppendorf de 0,2ml, firmemente tampados, por até 72h em temperatura ambiente ou geladeira. NÃO SE DEVE ARMAZENAR OU TRANSPORTAR AS AMOSTRAS DE SUOR COLETADAS DENTRO DO TUBO DE COLETA (Macroduct).

 

Com relação às técnicas de dosagem do cloro, foi categórica em favor da titulação coulométrica. Métodos automatizados desenvolvidos para dosagem de eletrólitos no sangue/plasma não são confiáveis para avaliar a faixa de dosagem presente no suor – uso com muito cuidado.

Quando questionada por mim sobre a técnica de titulação manual de Schales & Schales, foi categórica: só o fato de expor os técnicos a mercúrio e cianeto deveriam ser uma contraindicação formal para esta técnica, mas além disso a análise visual da cor não é confiável. (“My idea of pink may be different from yours”.)

 

A condutividade segue sendo considerada um método de triagem na visão de Americanos e Europeus – e não um método diagnóstico – perguntei a ela qual seria o melhor, na ausência de cloridrometro: Titulação manual de Schales & Schales vs. Condutividade – não foi capaz de responder, sugerindo que uma vez que o suor foi coletado, poderia ser enviado até um cloridrômetro.

 

Ainda em relação aos padrões recomendados para o teste do suor, há um novo guideline da CLSI (agencia norte-americana de padronizações laboratoriais) que deve ser publicado no meio do ano – uma das autoras é exatamente a apresentadora dessa aula. As principais novidades neste documento são um maior enfoque nos exames para bebês vindo da triagem neonatal, valores atualizados de intervalos de normalidade para o teste do suor. Neste novo documento, procedimentos de análise em sistemas de coleta empregando gaze ou papel de filtro foram para o apêndice, porque não estão sendo mais utilizados em boa parte dos laboratórios do mundo.

 

Sweat collection from two sites is essential to reduce QNS samples

PRO: Vicky LeGrys (Chapel Hill, North Carolina, USA)

CON: Kevin Southern (Liverpool, UK)

Os argumentos a favor de 2 sitios de coleta são um pouco óbvios – basicamente um aumento da chance de obter uma amostra de quantidade suficiente – mas segundo os dados apresentados pela própria defensora de dois sítios, um estudo informal norte-americano analisando 2.357 coletas, relata uma queda do número de falhas de coleta com o uso da coleta em dois sítios de 7,3% para cerca de 6% – uma redução muito tímida, pensando no aumento do custo que isso representaria (usar dois kits de coleta).

 

Is it time to unwrap the Nanoduct? – Jürg Barben (St. Gallen, Switzerland)

Apresentou vários resultados de estudos realizados na Suiça demonstrando que o Nanoduct (equipamento de condutividade automatizado) foi tão bom quanto a coleta com Macroduct e cloridrômetro para descartar FC em pacientes vindo do screening neonatal; apesar de ser um entusiasta da condutividade na abordagem inicial, seu Hospital tem muita experiência em realizar dosagens de cloro no suor usando cloridrôetros, a partir de coletas com Macroduct. O custo do sistema Nanoduct é significativamente maior, por isso não seria recomendado para países com baixos recursos financeiros (como o Brasil).

 

 

Learning to optimize structures after newborn screening: information pathways, sweat test, tracking – Olaf Sommerburg (Heidelberg, Germany)

Apresentou vários aspectos sobre técnicas de e-learning para otimizar os testes de suor e caminhos após triagem neonatal / aspectos de formato – recursos de internet como os da ECFS seriam utilizados para este fim.

 

Improving sweat test performance in Europe: development of new ECFS DNWG training

Evaporimetry in atypical and Lumacaftor/Ivacaftor treated patients with CF – Thao Nguyen-Khoa (Paris, France)

Apresentou aspectos técnicos do método da evaporimetria, recurso útil para casos não concluídos de FC.

 

Discussion forum: Defining the DNWG Top 3 priorities for sweat testing in Europe (all)

 

Session 4: Current and future CF diagnostic markers (Chairs: Nick Simmonds, Silvia Gartner)

ICM responsiveness to oral Lumacaftor/Ivacaftor treatment – Valerie Mühlbacher (Berlin, Germany)

Valerie é austríaca mas trabalha em Berlim. Orkambi foi aprovado em 2015 na Alemanha – eles procuraram avaliar um biomarcador de resposta ao tratamento – numa abordagem de medicina personalizada. A avaliação escolhida foi determinação de corrente intestinal em biópsias retais.

Avaliou 12 pacientes F508del homozigotos – 4 biópsias por paciente pré e pós intervenção com Orkambi. Medidas de corrente mostraram mudanças significativas, especialmente na resposta ao ativador de CFTR (Forskolin) – estas diferenças na análise de ICM não foram associadas aos resultados de teste do suor pré e pós. Um dos pacientes com grandes respostas na análise de ICM e mesmo no teste do suor sentiu-se mal com a medicação e interrompeu o uso após 1 mês.

 

Update from the International (Global) CF Registry Group: designing future documentation of CF diagnosis and related phenotypes – Lutz Nährlich (Giessen, Germany)

Houve uma mudança na organização em 2017 – a tarefa agora foi assumida por Chris Goss e Ed McKone, e a Cystic Fibrosis Foundation assumiu o controle da iniciativa. Não ficou claro qual será o papel do fundador desta iniciativa, Geoffrey Sims (Australia), nesta nova composição. Há algumas publicações previstas para o grupo – áreas de genética, sobrevida e diagnóstico. Questões levantadas sobre categorias de diagnóstico – CFSPID ou CFRD, por exemplo, não estão contempladas em vários Registros (incluindo o nosso REBRAFC). Mas a recomendação atual é que o Registro internacional contenha apenas pacientes com FC – pacientes com quadros não resolvidos ou intermediários devem ser mantidos apenas em nível nacional, para tornar os dados globais mais concisos.

O Brasil é um dos únicos países a reportar o papel de testes funcionais de CFTR como recurso diagnostico (além dos EUA).

Ainda não sabemos como a iniciativa do Registro Internacional vai caminhar daqui por diante.

 

Revisiting the diagnosis of CF-related diabetes: lessons from a multicentre study – Manfred Ballmann (Rostock, Germany)

Inicia mostrando estudos que demonstram o impacto de CFRD na sobrevida dos pacientes, na necessidade de receber suplementos para manter estado nutricional adequado.

Alguns grupos estão estudando a possibilidade de usar a monitorização continua de glicose (GCM) como instrumento diagnóstico, mas ainda há controvérsias nesta abordagem.

Publicação deste ano no Blue Journal (AJRCCM) mostra o inicio de anormalidades glicêmicas muito precoces na FC, mesmo em crianças abaixo dos 5 anos de idade.

Quanto ao tratamento, apesar das recomendações da CFF de se utilizar apenas insulina, muitos pacientes usam hipoglicemiantes orais e além disso costuma haver um grande atraso entre o diagnóstico e o inicio do tratamento (até 3 anos).

Também há duvidas sobre como o controle deve ser feito – hemoglobina glicada?

 

Young Investigator 1: Synergy of basic lung function tests (spirometry, MBNW and plethysmography) in diagnostics and monitoring CF patients – Magdalena Postek (Warsaw, Poland)

Descreveu resultados de 58 pacientes (8-18 anos de idade), realizando as três técnicas de analise funcional durante admissões hospitalares destes pacientes. Observou correlação entre os valores de LCI (mais altos) com VEF1 mais baixo. Os valores de CRF observados por MBNW ou Pletismografia não foram estatisticamente distintos – ou seja, as duas maneiras de analisar são factíveis/confiáveis. Tentou demonstrar diferenças tanto em LCI quanto em valores de espirometria pré e pos tratamento de exacerbação pulmonar aguda – não houve diferença estatística significante.

 

Young Investigator 2: Сytochrome genes polymorphism and effectiveness of antibacterial therapy in cystic fibrosis patients – Olga Novoselova (Moscow, Russia)

Descreve a genética (pesquisa de poliforfismos) de algumas proteínas da família dos citocromos hepáticos envolvidos no metabolismo de drogas. A apresentadora identificou algumas variantes genéticas associadas a maior taxa de falhas terapêuticas – e mesmo a valores de função pulmonar.

 

Young Investigator 3: Complete CFTR gene mutation analysis in Black African patients with cystic fibrosis – Reratilwe Mphahlele (Durban, South Africa)

Prevalência de mutações muito raras em negros da África – descreve 5 casos identificados tardiamente e que só tiveram sua genética conhecida após sequenciamento do gene CFTR.

 

Young Investigator 4: CF carriership and tuberculosis: hints toward an evolutionary selective advantage – Lander Bosch (Cambridge, UK)

Mostrou dados de um estudo feito no Brasil em 2016, utilizando uma plotagem geográfica de dados do registro de tuberculose e do registro brasileiro de fibrose cística – demonstrou que nas regiões de maior prevalência de mutação F508del há menor incidência de tuberculose.

 

 

Session 5: CFTR genotyping – options for the next generation (Chairs: Emmanuelle Girodon, Harry Cuppens)

How do you assess the historical and current CFTR genetic identity in your population? – Sabina Gallati (Berne, Switzerland)

Sequenciamento programas de triagem neonatal – identifica portadores sãos e pessoas com variantes de significado incerto, o que vai além dos propósitos da triagem neonatal e pode esbarrar em questões legais. A apresentadora defende a elaboração de painéis de mutações para populações especificas.

Descreve alguns dados da população Suiça – depois apresenta uma proposta de um update mundial na prevalência de mutações nas diferentes partes do mundo – uma ultima publicação de 2004 descreve dados mundiais, mas certamente eles são hoje bastante distintos com o avanço das técnicas de sequenciamento.

 

 

The multi-faceted nature of CFTR mutations: impact on their functional classification – Caroline Raynal (Montpellier, France)

Gene CFTR – hoje há 2.025 variantes genéticas descritas, envolvem diversos tipos de defeito. Dificuldades na interpretação de mecanismos de defeito (classes de mutação), nem sempre fáceis de atribuir a variantes encontradas.

Eles analisaram diversas mutações missense de significado incerto e puderam determinar suas consequências usando uma combinação de técnicas de analise genética e de expressão protéica.

 

How do we get improved quality for genetic results? – Elke De Wachter (Brussels, Belgium)

Criticas sobre o Registro Europeu – tem vários problemas na entrada de resultados de genética. Eles ainda têm o campo aberto – que permite entrada de dados pelo operador. Nossas modificações recentes na parte de genética parecem estar à frente do que eles têm hoje no Registro Europeu.

Cita um trabalho de revisão de mutações raras em pacientes belgas, e eles também tem situações parecidas com a nossa – apenas 1 variante, pacientes com variantes não-causadoras de FC e também ausência de variantes. Vários problemas com entradas erradas de denominação de mutações.

 

 

 

Session 6: Intestinal organoids as (diagnostic) markers of CFTR function (Chairs: Inez Bronsveld, Hugo De Jonge)

Are organoids an additional helpful technique for diagnosing CF? – Kris De Boeck (Leuven, Belgium)

Prof. De Boeck apresenta inicialmente os princípios da técnica de organoides intestinais para avaliar a função de CFTR – aspectos a observar, protocolos de estimulação com Forskolin, medidas realizadas (“circularity index” e “intensity ratio”) – materiais de cultivo, requisitos de microscópio, etc.

Mostra alguns exemplos da aplicação para diferenciar portadores de mutações de pacientes com FC – porém o método não diferenciou pacientes pancreato-suficianetes de pancreato-insuficientes.

Mostra casos difíceis de fechar diagnóstico de FC – exemplo de uma mulher com valores de Cloro no suor intermediários e mutações F508del/N1303I – esta 2a mutação não muito conhecida em termos de consequências – no estudo de organoides os resultados são altamente típicos de FC – adicionalmente foi possível ver que esta combinação é altamente responsiva a Ivacaftor e Orkambi – ou seja, esta mutação deve resultar em defeito de gating.

Um segundo caso mostra uma adolescente (mãe indiana – Sri Lanka) com valores de Cloro no suor intermediários – mutações G542X/S1251N – esta segunda mutação é comum na Bélgica, e havia uma surpresa no quadro clinico leve e nos valores de Cl no suor, intermediários. Estudo de organoides mostrou função residual – os índices colocavam a paciente num quadro intermediário, porem grande resposta à Forskolin.

Há ainda necessidade de mais estudos com organoides avaliando pacientes intermediários, repetição de casos (reprodutibilidade), testar mais de um microscópio (Zeiss x Nikon).

 

Do organoids correlate with sweat tests and ICM? – Jeffrey Beekman (Utrecht, Netherlands)

Inicia falando mais das possíveis aplicações da técnica de organoides – desde diagnóstico, passando por avaliação de resposta as terapias e elaboração de biobancos.

Aspectos técnicos são apresentados, por exemplo, com relação às biópsias – devem preferencialmente feitas com fórceps e não sucção – há alguns problemas com contaminação (infecção). O fenótipo de FC é bastante estável ao longo do tempo em organoides congelados. Indica algumas dificuldades em identificar os lumens usando calceina verde – estão testando novos corantes (ex: calceina/actina).

Por fim, descreve algumas comparações que vem de um estudo de coorte de bebes da AREST CF (Australia), diagnosticados pela triagem neonatal – não houve muita correlação entre medidas de corrente intestinal (ICM) e inchaço induzido pela Fosrkolin – mas alguma relação com dosagens de cloro no suor (apesar da grande sobreposição de valores de Cloro no suor).

 

Relation between intestinal organoids and respiratory CFTR function (NPD) – Paola Melotti (Verona, Italy)

Apresentação dos dados de pacientes com diagnóstico difícil, provenientes de Verona. Além do estudo de organoides, realizaram várias medidas de função de CFTR, incluindo ICM e NPD (diferença de potencial nasal). Foram poucos pacientes, não houve grandes informações, apenas mostrando os recursos de investigação de função de CFTR que estão sendo realizados em conjunto.

 

Rescue of CFTR-dependent bicarbonate transport in CF organoids – Huge De Jonge (Rotterdam, Netherlands)

Prof. De Jonge descreve os passos do desenvolvimento de um ensaio para avaliar secreção de bicarbonato em amostras de biopsias retais e organóides. A relevância do bicorbanoato na FC é cada vez mais clara, tanto nos aspectos de contribuição para morte bacteriana, quanto para a conformação final da mucina na superfície do epitélio respiratório. Mostrou dados bastante complexos sobre a estrutura tridimensional da proteína CFTR e teorias de poros secundários na mesma. Relatou varias dificuldades para estudos eletrofisiológicos em organoides, por conta de estabilidade etc. Mas é possível estudar as organoides se elas são cultivadas em uma matriz linear e testadas em câmaras de Ussing / testes bastante complexos e com resultados ainda bastante incipientes.

 

Session 7: Functional and structural markers of CF lung disease (Chairs: Jürg Barben, Jane Davies)

Multiple breath washout: ready for inclusion into registries? – Florian Singer (Zürich, Switzerland)

MBW é um teste funcional fácil, para qualquer faixa etária, precisa de uma interface bem selada na face. Pode usar diferentes gases – N2 (nesse caso a inalação é de oxigênio puro), SF6, He. Geralmente são realizados 3 testes, com duração total do exame de 10 a 60 minutos. Um dos desfechos primários já reconhecido pelo FDA é o LCI – Lung Clearance Index. O apresentador mostra dados de confiabilidade na realização em bebes de 5 a 8 semanas de vida, reprodutibilidade (15% em normais, 25% em pré-escolares com FC). O LCI aumenta ao longo da vida dos pacientes com FC e pode até prever risco de exacerbação. Há uma nítida correlação com a gravidade da doença e mesmo com sintomas. Também se correlaciona com alterações na ventilação em RM funcional e TC de tórax. Também há evidencias de que o LCI pode ser um bom marcador de resposta ao tratamento, como nos estudos mais recentes de moduladores de CFTR e de resposta ao tratamento intravenoso com antibióticos durante exacerbação respiratória.

Apresenta ainda uma série de estudos comparativos de equipamentos, aparentemente o comportamento deles é bastante distinto. Alguns não parecem adequados para bebês pequenos. Em lactentes os estudos utilizam preferencialmente SF6, porque a inalação de O2 puro pode resultar em distúrbios no ritmo respiratório.

 

Airway mucus properties as a biomarker in lung disease – Kathryn Ramsey (Berne, Switzerland)

Essa pesquisadora esteve na Universidade da Carolina do Norte e na Austrália anteriormente. Há diferenças entre escarro, muco e mucinas. Vários estudos têm avaliado as propriedades das mucinas em pacientes com FC ou DPOC, e há evidencias que o fenômeno de desidratação do muco precede a redução de volume do ASL na FC.

Num dos estudos, mostra análises de amostras de BAL de crianças da coorte AREST da Austrália – pacientes com FC tinham concentrações mais altas de mucina, e havia correlação entre estes valores e parâmetros inflamatórios no BAL, mas sem associação com infecção. Descreve outro estudo em pacientes com bronquiectasias de outra origem incluindo discinesia ciliar primária (PCD). A concentração de muco em relação ao peso total do escarro é maior em FC, e quanto mais sólido o escarro, maior a concentração de mucinas e maior a pressão osmótica do muco. A apresentadora acredita que é possível utilizar este desfecho em estudos clínicos – o equipamento que realiza estas analises de concentração de muco no escarro é de baixo custo, e os resultados são reprodutíveis mesmo em amostras congeladas por 6 meses.

 

Respiratory rate and functional MRI in early CF lung disease – Philipp Latzin (Berne, Switzerland)

Na busca de sinais para identificação precoce de doença pulmonar na FC. MBW, imagem (utiliza-se mais TC – envolve radiação), microbiologia e a ideia dele de avaliar ressonância magnética (MRI) e frequência respiratória.

Existem escores específicos de MRI para doença pulmonar da FC. Técnicas de MRI podem empregar gases hiperpolarizados (Helio), aumentos de imagem por contraste – Dynamic Contrast Enhancement  (DCE) – este traz informações de perfusão – é preciso parada inspiratória para aquisição. Duas outras técnicas são FD-MRI – feita em respiração espontânea e sem contraste (Bauman 2013) –  a técnica ainda não é factível em lactentes jovens.

Mostra os resultados do estudo deles (Nyilas ERJ 2017), incluindo 40 pacientes com FC, realizaram MBW, MRI funcional e anatômica.  Avaliaram seis cortes sagitais e a distribuição da ventilação com esta técnica de FD-MRI – obtiveram dados muito interessantes e com correlação significativa com LCI. A técnica é simples (apenas 5 min), sem contraste, sem necessidade de sedação – parece uma técnica muito promissora para a FC.

Em seguida fala sobre um estudo não publicado frequência respiratória, marcador simples de se avaliar nos pacientes e sem custo qualquer. Eles fizeram uma comparação de frequência respiratória em 53 lactentes com FC e compararam com 110 lactentes saudáveis não selecionados. Foram seguidos de 5 sem a 12 meses – medidas semanais de FR e sintomas. A FR caiu em todos os pacientes ao longo do tempo, 49 para 27/min em FC, 41 para 25/min em normais. Lactentes com FC tiveram uma FR maior que normais 3.48/min, p<0.001. Nos episódios de infecção respiratória a FR aumentava. Entre os pacientes com FC, a FR foi maior entre os pacientes com LCI maior ou igual a 7.

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